domingo, 20 de março de 2011

O ESCRITOR E O ESCREVER: PRAZEROSO PENAR - NA VISÃO DE RACHEL DE QUEIROZ

Isaías de Oliveira Ehrich


A arte de escrever é, como já afirmaram alguns escritores e poetas (a exemplo de Fernando Pessoa e de João Cabral de Melo Neto), uma atividade exaustiva e verossímil.
Raquel de Queiroz, ilustre escritora cearense, também fala sobre essa atividade. Para exemplificar essa descrição, analisaremos duas crônicas da autora. A primeira intitulada Tudo mudou1, publicada no Correio do Povo em 2001; a segunda, escrita em 1952, O direito de escrever2.
Antes, porém, de analisarmos essas duas crônicas, conheçamos um pouco da história da autora, enquanto escritora.


Rachel de Queiroz: dama das letras



Aos 17 dias do mês de novembro de 1910, Fortaleza é presenteada com o nascimento da filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, a saudosa Raquel de Queiroz, a qual trilha o seu caminho entre o sertão e a cidade, do nascimento à morte, no Rio de Janeiro, em 04 de novembro de 2003.

Sempre rodeada pelos livros, Raquel de Queiroz, que ainda era família de José de Alencar, fez o curso normal, no Colégio Imaculada Conceição, em Fortaleza, diplomando-se em 1925, aos 15 anos de idade. Estreou no jornalismo em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queiroz, publicando uma carta ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes", no jornal "O Ceará", de que se tornou afinal redatora efetiva. Ali publicou poemas à maneira modernista. Três anos depois, ironicamente, quando exercia as funções de professora substituta de História no colégio onde havia se formado, Rachel foi eleita a "Rainha dos Estudantes". Com a presença do Governador do Estado, a festa da coroação tinha andamento quando chega a notícia do assassinato de João Pessoa. Rachel de Queiroz joga a coroa no chão e deixa às pressas o local, com uma única explicação: "Sou repórter".
Professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Eleita para a Cadeira de n° 5, em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Cândido Mota Filho, foi recebida em 4 de novembro o mesmo ano pelo acadêmico Adonias Filho.
Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca – “O Quinze”. Antes, publicou o folhetim "História de um nome" - sobre as várias encarnações de uma tal Rachel - e organizou a página de literatura do jornal "O Ceará".
No Rio, onde residiu desde 1939, colaborou no “Diário de Notícias”, em “O Cruzeiro” e em “O Jornal”. Célebre cronista, publicou mais de duas mil crônicas, cuja seleta propiciou a edição dos seguintes livros: “A donzela e a moura torta”; “100 Crônicas escolhidas”; “O brasileiro perplexo” e “O caçador de tatu”. Em 1950, publicou em folhetins, na revista “O Cruzeiro”, o romance “O galo de ouro”. Tem duas peças de teatro: “Lampião”, escrita em 1953, e “A Beata Maria do Egito”, de 1958. Além de “O Padrezinho Santo”, peça que escreveu para a televisão, ainda inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu o livro “O menino mágico”. O livro surgiu, entretanto, das histórias que inventava para os netos de sua irmã. Dentre as suas atividades, destaca-se também a de tradutora, com cerca de quarenta volumes já vertidos para o português.
Recebe do presidente da República, Jânio Quadros, o convite para ocupar o cargo de ministra da Educação, que é recusado. Na época, justifica sua decisão, dizendo: “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista.”.

Escrever para a Escritora...


Certa vez, a escritora, ou melhor, a jornalista Rachel de Queiroz – como gostava de ser denominada, enquanto profissional - em entrevista prestada a uma emissora de televisão, foi questionada sobre a arte de escrever e ela retrucava a entrevistadora dizendo que arte quem faz são pintores, atores, escultores e poetas. Ela escrevia não por arte, mas para sobreviver, porque precisava ganhar dinheiro. Escrevia não por amor, mas por necessidade. “Não tenho o dom de escrever. Antes de concluir um artigo, um romance (que não tenho mais idade para isso), uma crônica, saiba que perdi muitas horas de sono e cansei a mão e o juízo”, afirmava em desabafo.

Nas crônicas a serem analisadas – Tudo mudou e O direito de escrever , veremos que Rachel de Queiroz relatara também esse desabafo, abordando, além disso, outros aspectos tangentes a essa prática.

Em Tudo mudou, a escritora começa a fazer uma rememorização de uma cena que vira na infância, a qual a marcara, trazendo, além das impressões pessoais, um pouco da cultura cearense presente em suas obras, sobretudo – nessa crônica – no que tange o aspecto religioso, embora Rachel de Queiroz não tivesse fé em nenhuma divindade. Em seguida, ela descreve as artimanhas que os escritores utilizam para expor suas idéias; por fim, chama a atenção dos leitores para o fato do não-hábito de leitura do público.

Podemos notar pelo menos três aspectos relevantes no tocante ao ato da profissão escritor, em suas diversa modalidades, em Tudo mudou: 1) a verossimilhança; 2) a relação autor/leitor; 3) o não reconhecimento do escritor.

Rachel mostra que toda cena vivida ou observada por um escritor tornar-se-á um texto, seja em qual modalidade for:

Olha aquele romancista que assiste em prantos ao enterro do irmão predileto. Com um olho ele chora, mas com o outro espia o risco da morte na face descorada, o grotesco dos ritos fúnebres, a pancada da terra a bater nas tábuas do esquife, o ar de chuva no céu, o pó-de-arroz manchado de lágrimas no rosto da viúva. Espia e anota mentalmente e, não tarda, aparecerá um conto ou uma novela em que se mostre um defunto; uma tarde no cemitério num ar brusco de chuva e uma viúva a chorar.

Ela faz esse comentário e, como podemos perceber, acaba utilizando-se desse mesmo artifício, quanto traz para a crônica uma lembrança do seu passado, da sua meninice – como ela fala – para o texto:

Faz muito tempo, sei que eu era menina, e o que me impressionou não foi nem o nome do cardeal celebrante. Chocou-me a audácia do repórter. Imagine fazer chapa naquela hora sagrada e quase temível, quando todo mundo, de joelhos, curvava a cabeça, batia no peito e baixava a vista para o chão em reverência ao Santíssimo. No colégio se contava que um homem ficara cego por fitar atrevidamente a hóstia consagrada e, quando acaba, aquele homem do jornal não apenas olhava, mas tirava retrato!

E até hoje essa impressão de meninice a me dizer que o ofício se alimenta de tudo, inclusive sacrilégio, não mudou essencialmente...


Daí, podemos destacar um aspecto relevante que é a questão da verossimilhança: o escritor não cria nenhuma história, ele adapta fatos reais para compor seus enredos, seus escritos, como bem já afirmara Fernando Pessoa3 em um de seus célebres poemas:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.



E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração


Nesse caso, façamos uma pequena adaptação para o que a autora de O Quinze já expunha, mais ou menos, dizendo que o escritor é um adaptador de histórias que envolvem o público de forma tal, que o fato narrado, por mais fictício que possa parecer, encaixa-se à história de um ou outro leitor. Essa identificação do texto com a história de vida dos leitores é denominada, nessa crônica, como sinceridade, mas não deixa de ser pura verossimilhança. E para tanto, os escritores farão de tudo para encantar o leitor, como ela relata ao citar o que vários dos grandes escritores foram capazes de fazer para manter o reconhecimento do público:

Ele, por isso, diz que é sincero, e as gentes, os leitores, lhe batem palmas pela sinceridade. E então aquela sinceridade voltada ao aplauso (ou filha de uma irrefreável necessidade de exibir-se?) cada dia mostra mais, ignora qualquer limite.

(...)

Em busca dessa sinceridade, Jean-Jacques Rousseau não se peja de contar que obrigava a pobre Teresa a enjeitar os filhos dele na roda dos expostos. Dostoievski esmiúça até a exaustão os seus espasmos de epiléptico, a terrível embriaguez do seu vício incurável, o jogo. Gide expõe, perversamente, as nuanças mais íntimas do seu desvio e, achando pouco, não nos poupa sequer o espetáculo de frustração e ressentimento que é a vida da pobre Emmanuelle. O’Neill, esse arrasta a família toda para a ribalta – literalmente a ribalta – a mãe morfinômana, os irmãos e o pai alcoólatra.


A partir de então, veremos que a relação mantida entre leitor e autor é de dependência. Principalmente deste quanto àquele, ou seja, o escritor, após cair no gosto do leitor, ficará muito voltado ao gosto do público:


(...) E o homem que escreve, então, vai-se despindo até o último pano, igual á rapariga do strip-tease, que pouco a pouco arranca a roupa do corpo bonito.

Mas no caso dele, a roupa não chega – o público do homem que ainda é mais exigente que a platéia dos espetáculos de nu artístico: ele então abre a arca do peito e mostra o coração batendo, rasga a barriga e exibe as entranhas. Mostra-se a qualquer hora do dia ou da noite, dormindo ou acordado, rezando e pecando, chorando, comendo, até na hora do amor, até na hora do parto – se o escritor é mulher.

Pelo que a jornalista coloca, o escritor chega a perder a noção de pudor para expor a sua vida em busca de material para leitura, algo que se torne sensacional, essencial ao gosto do leitor. Em O direito de escrever, Rachel de Queiroz também traz esse fato, só que por um aspecto mais fortemente descrito, mostrando a forte dependência que o autor se sujeita aos gostos do público leitor:


(...) Portanto, aí o pobre sujeito está perdido. Porque passou a pertencer ao seu êxito, fica escravo daquele sucesso (...) – fica, pois escravo daquele sucesso, e do trilho inicial não pode mais se afastar. Pode lhe vir inspiração em qualquer outro sentido. Pode ser ele tentado a seguir caminhos novos – mas é arriscadíssimo deixar-se cair em tentação. É quase certo que o seu público não gostará. O público provavelmente achará péssimo. Se o cronista Rubem Braga, um dos amados do público, deixar de repente de fazer suas crônicas e passar a escrever poemas lindíssimos, tão lindíssimos quanto suas crônicas, o público que até hoje o amou lerá os poemas com a sensação de que está sendo furtado; sim, furtado de todas aquelas crônicas que ele estava esperando e que, sub-repticiamente, às suas costas, sem o seu consentimento, foram viradas em poemas. E reclamará, e não comprará o livro de poesias como comprava o livro de crônicas, embora um seja tão bom quanto o outro; mas acontece que, com poemas, ele não está acostumado.

Apesar de fazer essas exposições acerca da relação mantida entre leitor e autor, Rachel de Queiroz nos mostra, até sob certa indignação, que esse público não reconhecerá o talento e o esforço dos escritores, deixando-os a mercê de seu trabalho. Árduo trabalho!
Ao final de Tudo mudou, a cronista em questão, nos mostra que, apesar de tudo, o escritor sente necessidade em expor suas idéias, embora elas não sejam só criação imaginativa, apesar de correr o sério, mas certo destino: seus escritos permanecerem intactos em prateleiras de livrarias à espera de leitores:

E para onde vai tudo isso? As confissões mais doidas, as saudades, os remorsos, os desgostos, os erros, as horas negras e, muitas vezes, os crimes? Vai para um altar, para o ouvido de um amigo, um coração confidente? Não queridos, vai para o balcão. Vai ser vendido, feito papel impresso – jornal, revista, livro, bilhete de teatro. Antigamente chegava a ser retalhado por cinco tostões – e menos, pois havia jornais de dois tostões. Hoje subiu de preço, mas ainda é barato, baratíssimo.
E assim mesmo, baratíssimo, muita vez fica a se estorcer nas vitrinas e se esganiçar nos palcos sem achar quem compre.


Em O direito de escrever, Rachel de Queiroz também levanta esses pontos abordados em Tudo mudou. Embora de maneira diferente de se expressar. Ela inicia a crônica abordando a questão da aceitação do leitor ao modo de escrever ( no nosso caso) do escritor. Até que ponto o autor tem direito sobre aquilo que escreve? Até que ponto ele pode dizer que o que relata é inspiração ou provocação do público? Para tanto, nossa cronista cita exemplos – nesse caso só exemplifica como possivelmente aconteceria (diferentemente do que fez na primeira crônica, onde a mesma, além de citar os nomes dos autores, expõe o que ele faziam para manter a aceitação do público) – se um determinado cronista mudasse de modelo de escritura. Pois, como bem coloca: “O público gosta de receber aquilo a que está acostumado. E detesta que um camarada a quem ele se acostumou, mude de cara ou de sistema”.

Em seguida, Rachel de Queiroz levanta a questão da “imparcialidade” do escritor; e nos mostra o porquê de que isso não é

tão verdadeiro, uma vez que:


(...) Todo artista produz para externar suas paixões, seus recalques, seus conflitos íntimos. Então como é que pode ser imparcial? (...)
Pessoas que escrevem, como as que pintam ou representam, são pessoas complicadas, parciais, cheias de personalismo, preferências, tais como as demais pessoas do mundo. E o público gosta da gente justamente quando lhe lisonjeamos as preferências e os personalismos. Aqueles de nós que tem mais êxito é precisamente aquele cujas referidas paixões, personalismos, etc., melhor coincidem com os da maioria.


Nesse trecho, ela aborda não só a questão da imparcialidade, mas também o fato de que o escritor inscreve em suas obras o seu subjetivismo, por mais objetivo que os seus textos possam-lhe parecer, as suas impressões, o seu ponto de vista estará impregnado no texto, querendo – ou não – deixar isso resplandecer aos olhos dos leitores.
Embora trazendo nessas duas crônicas em análise aspectos semelhantes, como é o caso da verossimilhança e, principalmente, a relação de dependência entre escritor e leitor, Rachel de Queiroz mostra em O direito de escrever – até justificando o título do seu texto dissertativo – que ela não se assujeita (assujeitar, nesse caso, fazendo-se uma alusão à noção de sujeito da análise do discurso, ou seja, deixar de expor o seu pensamento próprio para se submeter aos caprichos dos leitores) aos ditames do público, mas à sua opinião:
O distinto público desculpe, mas me recuso. Não abro mão do direito de opinar, e opinar errado, inclusive. Se o distinto público acha ruim, paciência. Sei que, como escribas assalariados, nós todos, para viver, dependemos do dinheiro do distinto público. (...) O distinto público compra os nossos escritinhos. Paga às vezes mal, às vezes generosamente. Mas compra só o direito de ler. O resto é nosso. Goste ou jogue fora, não nos obrigue a cortejar as suas opiniões.

Rachel de Queiroz, nessas duas crônicas analisadas (Tudo mudou e O direito de escrever), traz alguns aspectos em comum entre ambas, porém, o que fica mais destacado é a relação de dependência entre o escritor e o público leitor. Apesar de abordar esses aspectos em tempos diferentes, um em 1952 e, o outro, em 2001, quarenta e nove anos depois, de maneiras distintas, a autora mostra, em ambas as crônicas o seu estilo próprio, objetivamente subjetivo e direto de exprimir o seu pensar. Ache o público leitor bom ou não, ela repassa a sua visão de que escrever não é um ato somente prazeroso, mas cansativo e, muitas vezes, provoca desgostos ao escritor, pelo fato do não reconhecimento dos seus escritos e a não relevância de suas opiniões.
Apesar de saber que o escritor não é reconhecido, que a atividade de escrever, seja ela na modalidade romancista, cronista, poética, jornalística, não traz retornos financeiros, Rachel de Queiroz não desanima quanto a isso, pois – apesar de tudo – ela tem consciência de uma coisa, como bem coloca no último parágrafo de O direito de escrever: “O distinto público compra os nossos escritinhos. (...) Mas compra só o direito de ler. O resto é nosso”.
Parodiando o que Rachel de Queiroz fez ao final de O direito de escrever, atrevo-me a citar o mesmo trecho de Vitor Hugo, citado pela escritora – embora traduzido não ao pé da letra, mas ao entendimento próprio, para afirmar que o escritor tem que se manter a sua opinião livre, o seu pensamento livre, embora seja uma profissão árdua, contudo, prazerosa:



"Eu faço o que eu quero, e eu quero o que eu devo.

Eu sou livre, cavalheiro!”

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Nigel Brooke fala sobre eficácia escolar


Professor inglês explica como surgiu esse conceito e como ele está sendo incorporado na Educação brasileira

Gustavo Heidrich

Quando se fala em um profissional eficaz, entende-se que se trata de uma pessoa competente, que desempenha bem suas funções e atinge seus objetivos. O mesmo acontece quando o adjetivo é relacionado a uma empresa ou a um processo. Contudo, o que vem a ser uma escola eficaz, termo que tem sido usado pelos mais diversos interlocutores quando o assunto é qualidade de ensino?

Quem responde é o pesquisador inglês Nigel Brooke, professor convidado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atua no Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais (Game): "Escola eficaz é aquela que ensina bem os conteúdos curriculares e se preocupa com o aluno de maneira global, com a formação de valores, ética e cidadania e a criação de oportunidades." Doutor em Educação pela Universidade de Sussex, em Londres, Brooke estuda esse tema desde que ele entrou em pauta nos Estados Unidos, na década de 1960. No Brasil, o debate sobre a eficácia chegou 30 anos depois e sua principal consequência foi a criação de sistemas de avaliação.

Para atingir a plena eficácia, os gestores devem dar atenção a uma série de fatores que influenciam os resultados, como a formação de professores e gestores, a infraestrutura, o clima de trabalho e o próprio funcionamento da escola enquanto instituição, entre outros.

Nesta entrevista, concedida à NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR no campus da UFMG, em Belo Horizonte, Nigel Brooke explica como surgiu esse conceito e como ele afeta as políticas públicas na área de Educação.

Quando surgiu o interesse em saber se uma escola é ou não eficiente?
NIGEL BROOKE
Foi nos Estados Unidos, em meados da década de 1960, quando foram realizadas algumas pesquisas com o objetivo de explicar por que em algumas escolas os alunos aprendiam e, em outras, não. Naquela época, observando o que era mais visível e comparando os resultados, chegou-se à conclusão de que o desempenho dos estudantes dependia de sua origem e condição socioeconômica. Deu-se o nome de efeito família à influência que os pais e o ambiente em que a criança é criada têm na aprendizagem. Essa ideia predominou durante algum tempo, mas deixou alguns pesquisadores inquietos. Eles acreditavam que a eficácia da escola não pode estar ligada somente a circunstâncias externas a ela. Elaboraram, então, outros estudos nos quais começaram a relacionar alguns fatores internos com as notas.

Que elementos foram analisados?
BROOKE
As novas pesquisas constataram que o que acontece na escola faz, sim, diferença no desempenho do aluno. Criou-se então o efeito escola, que é composto por uma série de itens que impactam os processos de ensino e de aprendizagem e, portanto, a eficácia da instituição. A constatação foi que a relação professor/aluno é o fator que tem maior peso nessa composição. A formação, o comprometimento e a capacidade de ensinar desse profissional têm de fato poder de alterar o desempenho das turmas.
Além do professor, que outros fatores influenciam a aprendizagem?
BROOKE
A presença de uma liderança, o bom relacionamento com a comunidade e mecanismos de autoavaliação e monitoramento das metas da escola. E ainda um ambiente focado na aprendizagem - o que envolve desde a estrutura física e a organização do trabalho até a clareza nas estratégias de ensino.

Com isso, o peso atribuído à família ficou menor?
BROOKE
Não, mas o que se descobriu deixou mais evidente que ela não é determinante. Hoje sabemos que pelo menos 20% do desempenho do aluno é determinado pelo que acontece dentro da escola. Pode parecer pouco, mas não é. Imagine 20% de influência positiva a cada ano de escolaridade. Uma trajetória de boas instituições e bons professores, além da possibilidade de acesso e ampliação cultural que o espaço escolar oferece, podem transformar a vida de uma criança, por mais desfavorável que seja o ambiente em que é criada. É o trabalho dos professores e gestores que vai ou não permitir que esses 20% façam a diferença.

A eficácia escolar é um conceito bem amplo. Como medi-la?
BROOKE
Realmente, ela abarca itens difíceis de mensurar, pois, para atingi-la, é preciso um trabalho bem feito em todas as áreas da escola, do administrativo ao pedagógico. O que se faz para efeitos da pesquisa educacional são alguns recortes. Por exemplo, analisar as notas dos alunos é um viés possível para medir a eficácia, porém sozinho ele não basta. Hoje temos mecanismos refinados de pesquisa que permitem desvendar pontos específicos, como a qualidade do trabalho de um professor e da coordenação pedagógica ou ainda a capacidade de liderança de um gestor. É um estudo mais detalhado que envolve o acompanhamento de um grupo de estudantes, gestores e docentes durante um período, em um ambiente com condições controladas. Por isso, exigem mais tempo e investimentos para produzir resultados. Já a avaliação de desempenho dos alunos, por exemplo, pode ser feita em larga escala - por isso é o formato mais utilizado hoje.

Há algum mecanismo que o gestor pode utilizar para monitorar a eficiência da escola?
BROOKE
Sim, isso é possível com a autoavaliação ou a avaliação institucional. Ou seja, a equipe se mobiliza para olhar criticamente seu ambiente humano, físico e pedagógico e fazer uma revisão de seus princípios e metas, com a finalidade de estabelecer novas ações e projetos.

Qual a melhor maneira de fazer essa autoavaliação?
BROOKE
Uma sugestão é selecionar os itens que mais influenciam nos resultados da escola - como a formação dos professores, a liderança na gestão e o clima de trabalho - e submetê-los à discussão durante as reuniões do Conselho Escolar, de formação e de equipe. Sei que isso é difícil no modelo tradicional de escola, pois ela não foi organizada para o exercício da reflexão. Ao contrário, sempre foi utilitarista, no sentido de ser uma instituição na qual os indivíduos chegam para cumprir tarefas predeterminadas. Essa percepção é ainda mais forte na escola pública, que é vista como algo coletivo - o que, na visão de muita gente, significa que não é responsabilidade de ninguém, o que é um grande equívoco.

O que os resultados de avaliações externas, como a Prova Brasil, dizem sobre a eficácia escolar?
BROOKE
Eles são um bom termômetro. No entanto, oferecem apenas os dados sobre a aprendizagem dos alunos em alguns conteúdos curriculares básicos e dão uma ideia de como estão as condições de ensino no momento em que as provas são aplicadas. Mostram os problemas, mas não as causas. Na verdade, os sistemas de avaliação externa foram criados por três motivos: induzir mudanças nas práticas pedagógicas, definir prioridades de investimento em Educação e responsabilizar os atores escolares (professores, gestores e alunos) pelo desempenho. Nesse sentido, com várias ressalvas, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a Prova Brasil são um sucesso. Claro que ainda não há grandes mudanças na prática escolar. Contudo, os exames induzem os professores a adequar o que ensinam ao que é cobrado. Todos começam a prestar mais atenção na forma como avaliam os alunos. E esse é um efeito bastante positivo em um sistema educacional federativo e desintegrado como o brasileiro e, certamente, se constitui em um indutor de melhorias.
Na sua opinião, como a avaliação externa poderia ser mais eficiente?
BROOKE
Acredito que é preciso dar um passo além. Na minha opinião, esse passo tem de ser no sentido de melhorar o processo de responsabilização com base nos resultados dos testes. Isso tem sido feito por algumas secretarias com a distribuição de premiações para os profissionais cujas turmas conseguem melhores resultados. O problema é que, ao fazer isso, o gestor público assume que a melhora no desempenho do professor depende apenas de um incentivo financeiro e que os docentes são capazes de ensinar melhor, mas não o fazem porque não são bem remunerados. Na Bahia, por exemplo, somente os 15% dos docentes que têm melhores notas no processo de certificação do Estado e cujos alunos conseguem boas notas no sistema de avaliação local recebem esse adicional no salário. Já no Espírito Santo, a concessão do bônus leva em consideração o perfil socioeconômico das turmas, os anos de permanência do professor na mesma escola e a assiduidade. Essas são alternativas mais interessantes por incluir fatores diretamente ligados à competência individual. Mas ainda estamos longe de um modelo ideal. O correto seria a rede oferecer suporte e instrumentos para que a formação continuada fosse realizada de maneira a suprir as necessidades dos docentes. Sempre pensando em melhorar a atuação dos que precisam em manter o nível dos que vão bem, estimulando-os a compartilhar suas experiências com os colegas.

De que maneira um gestor deve interpretar as médias da escola nos testes externos?
BROOKE
Com cautela. Uma flutuação na nota da Prova Brasil ou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), para cima ou para baixo, nem sempre quer dizer que houve melhora ou piora no desempenho da escola como um todo. O gestor tem de fazer o que os exames de avaliação não fazem: usar os resultados para detectar as deficiências. E, claro, visualizar as virtudes para que elas sejam disseminadas. O número não revela se o trabalho de coordenação pedagógica é frágil ou se os alunos estão sem materiais básicos - mostra apenas as consequências. Avaliações e índices fornecem informações para que metas sejam estabelecidas e concretizam o desafio de alcançá-las. E isso já é um avanço na busca pela eficácia, já que por muito tempo se falou em melhorar a Educação, mas não havia medidas para isso. Um bom gestor, que organiza e divulga esses números, identifica as falhas e traça um planejamento coletivo para cumpri-las, já está usando as avaliações como um motivador para a melhoria da escola.

Qual a tendência dos estudos e práticas de eficácia escolar no mundo?
BROOKE
Há uma tendência pela sofisticação estatística. O objetivo é chegar a fórmulas que levem em consideração o maior número possível de variáveis para obter resultados bem próximos da realidade. Existem também propostas de tornar avaliações e índices mais interativos e acessíveis às escolas, ao ponto de professores e gestores terem condições de contribuir inclusive na elaboração da pesquisa. Na Nova Zelândia, por exemplo, a prova nacional de avaliação de desempenho dos alunos é montada online pelos docentes. Eles acessam um banco de dados e escolhem as questões que acreditam ser as mais adequadas. Depois de aplicado o teste, eles voltam ao sistema e inserem os resultados. Em seguida, uma equipe de pedagogos e especialistas faz uma devolutiva específica para cada escola.

BIBLIOGRAFIA
Pesquisa em Eficácia Escolar: Origem e Trajetórias
, Nigel Brooke e José Francisco Soares (orgs.), 552 págs., Ed. UFMG

ANIVERSARIANTES DE FEVEREIRO

Quantos anos você tem?
 texto de Oriza Martins |

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Quantos anos você tem?
Não responda já. Apenas leia e reflita…
Se nos perguntam “quantos anos você tem?”, nossa tendência é enumerar o período de tempo já vivido.
Mas não paramos para refletir que esses anos que se passaram – já não os temos mais. São tempos que se foram, pertencem ao passado, bem ou mal, felizes ou não, e já não mais podemos fazer uso deles, a não ser usufruir as lições que a vida, concretamente, nos ensinou.
Mais sensato seria responder: “espero ter muitos anos“.
Porque os anos vindouros – estes sim – significam aqueles que ainda nos restam, os que “temos” de verdade, nos quais está depositado o que permaneceu de esperança e de sonhos a concretizar.
Quantos anos você tem?
Pense nisso.
E procure fazer dos anos – que você ainda tem – os melhores de sua existência.
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MARIA JOSÉ - 11 DE FEVEREIRO
"Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar, porque encontrou na derrota algum motivo para lutar"

CRISTIANO - 12 DE FEVEREIRO
"O mundo tem fome de beleza e de bondade. Só em Deus podemos encontrar os ingrediente para o banquete".


LUIDSON - 23 DE FEVEREIRO
"Tudo em nossa vida deve ser uma experiência de passagem"

"Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver."

*Clarice Lispector*
 
Parabéns!!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

NOTÍCIAS PARA QUEM FEZ ENEM!

Carlos Lordelo - O Estado de S.Paulo
As inscrições para vagas em instituições públicas de ensino superior pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) tiveram início ontem com muita lentidão e algumas falhas. Estudantes passaram o dia enfrentando dificuldades para acessar o site, que às vezes travava no meio do procedimento ou mostrava mensagens de erro.

O Ministério da Educação (MEC) admitiu, por meio de sua assessoria de imprensa, que o Sisu ontem estava "lento" e apresentava "alguma instabilidade", registrando picos de 600 acessos por minuto. O ministério afirmou que candidatos fazem consultas excessivas, deixando o sistema ainda mais sobrecarregado.
Hoje deverá ser ampliado o número de computadores dedicados a manter o funcionamento do Sisu. Até às 16 horas de ontem, foram registradas 122 mil inscrições - um número considerado "muito bom" pelo governo.
Os problemas foram semelhantes aos registrados na estreia do site no ano passado. O sistema de tecnologia do MEC não aguentou o tráfego intenso no primeiro dia e estudantes passaram horas tentando se cadastrar. Alguns demoraram até oito horas para conseguir se inscrever em uma vaga.
Ontem, o Estado tentou acessar o sistema por mais de 15 vezes, em horários diferentes. Na maior parte das tentativas, a página do Sisu (www.sisu.mec.gov.br) aparecia com erro - uma mensagem dizia que não era possível carregá-la. Quando a página aparecia, e o número de inscrição e senha eram digitados, a página seguinte demorava para aparecer, e uma nova mensagem de erro aparecia na tela.
O ministério havia anunciado o início do período de inscrições no Sisu para as 6 horas de ontem. Mas o site entrou no ar por volta das 2 horas, beneficiando candidatos como Karen Aparecida, de 17 anos. Ela estava navegando no Twitter quando viu posts anunciando a abertura do sistema. "Era por volta de 3h40 quando acessei o site e consegui fazer minha inscrição", disse a estudante de São Paulo, que tenta vaga em Ciências Sociais.
Priscila Pacheco, de 23, não teve a mesma sorte. Ela entrou no site por volta das 11 horas e se inscreveu para sua primeira opção de curso em 50 minutos. Às 18 horas, a estudante ainda não havia conseguido fazer sua segunda opção. "É uma situação lamentável", disse a vestibulanda de Relações Internacionais.
Para Camila Fujii, de 19, o sistema é "ridículo". A candidata de Medicina também não conseguiu ontem fazer sua segunda opção de curso. "E vou acordar às 6 horas para acessar o site, ver a nota de corte e começar tudo de novo."
Álvaro Ferro Caetano, de 20, define a sequência de falhas do Enem ano após ano como "absurda". Concorrendo a uma vaga em Engenharia Ambiental, ele já viveu a mesma experiência negativa na edição anterior do Enem. "Não consegui fazer a inscrição no Sisu no primeiro dia por falhas iguais às que se repetem agora. É impossível confiar numa instituição incapaz de melhorar o sistema de acesso de um ano para o outro."
Enem. O sistema utiliza as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja divulgação, na sexta-feira, também ocorreu com falhas no site. Alunos reclamaram que a senha cadastrada não era reconhecida pelo sistema. Alguns disseram que as notas do segundo dia de prova, que incluiu a redação, foram anuladas sem justificativa.
De acordo com o ministério, o problema de acesso "não foi geral". Segundo a pasta, 700 mil pessoas haviam acessado as notas anteontem - no total, 3,5 milhões de estudantes prestaram o exame. Sobre a lentidão da central telefônica, o ministério disse que houve procura elevada.
Ao todo, o Sisu disponibiliza 83.125 vagas pelo País, a maioria em universidades federais. Os estudantes têm até amanhã para fazer sua inscrição, escolhendo dois cursos.

SAIBA MAIS
Vagas
Ao todo, o Sisu disponibiliza 83.125 vagas em instituições de ensino superior espalhadas por todo o País, a maioria em universidades federais.
Prazo
Os estudantes terão três dias para fazer a inscrição - de ontem até amanhã, sempre das 6 horas às 23h59 pelo horário de Brasília. O acesso acontece por meio do site sisu.mec.gov.br.
Cotas
Durante o período de inscrição, o candidato deve definir se deseja concorrer às vagas da chamada "ampla concorrência" ou às destinadas a políticas afirmativas. O aluno é responsável por verificar se atende aos requisitos das cotas.
Matéria retirada do site:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110117/not_imp667095,0.php

ANIVERSARIANTES DE JANEIRO

 
 

FELIZ ANIVERSÁRIO A TODOS VOCÊS QUE INICIAM O ANO DE PARABÉNS!
 

MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA - 01 DE JANEIRO

FÁTIMA TEIXEIRA - 09 DE JANEIRO

FRANCIARDO - 09 DE JANEIRO

SOLANGE - 12 DE JANEIRO
 
RITA - 21 DE JANEIRO


          No dia 04 de janeiro, a UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) divulgou a lista de aprovados do Vestibular 2011. A aluna Alinne Mirlânia Sabino foi aprovada para o curso de Fisioterapia.
         Parabéns!!!

Alinne Mirlânia Sabino







domingo, 26 de dezembro de 2010

Provinha Brasil - 2ª etapa

         No dia 29 de novembro aconteceu a 2ª etapa da provinha BRASIL. A mesma é realizada sempre ao final do 2º semestre para a turma de 2º ano do Ensino Fundamental.








          Em nome de todos que fazem a EMEO, desejamos um feliz Natal e um ótimo 2011!!

A VICE DIRETORA, LUCENA, E A SUPERVISORA DO ENSINO INFANTIL

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ANIVERSARIANTES DE DEZEMBRO







"Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida
mas somente verdadeiros amigos
deixarão pegadas no seu coração.
Para lidar consigo mesmo,
use a cabeça;
para lidar com os outros,
use o coração;
raiva é a única palavra de perigo ...
Se alguém te trai uma vez,
a culpa é dele;
se alguém te trai duas vezes,
a culpa é sua.
Grandes mentes discutem idéias;
mentes médias discutem eventos
pequenas mentes discutem com pessoas.
Quem perde dinheiro, perde muito;
Quem perde um amigo, perde mais;
 Quem perde a fé, perde tudo ...
Jovens bonitos são acidentes da natureza;
Velhos bonitos são obras de arte.
Aprenda também com o erro dos outros,
você não vive tempo suficiente para cometer todos os erros.
 Amigos você e eu .. Você trouxe outro amigo .. Agora somos três ..
Nós começamos um grupo ..
Nosso círculo de amigos ..
E como um círculo, não tem começo nem fim ...
Ontem é história;
Amanhã é mistério,
Hoje é um presente,
É por isso que é chamado presente ... "
  
  
 
GENORA - 04 DE DEZEMBRO


BRUNO - 06 DE DEZEMBRO
   
ANA CÉLIA - 10 DE DEZEMBRO
 


DANIELE - 26 DE DEZEMBRO
 
 
SOCORRO MARTINS - 29 DE DEZEMBRO


GLÍCIA - 31 DE DEZEMBRO




Uma das grandes bênçãos da vida é a experiência que os anos vividos nos concedem.
Aniversariar é uma amostra das
oportunidades que temos de aprender a contar os nossos dias.
Hoje, mais um a janela se abre diante de seus olhos,
mais um espinho foi retirado da flor, restando apenas a
beleza de tão bela data.

Os sintomas da felicidade se traduzem do otimismo, na
fé,
na esperança tenho empenho por se ser melhor a cada dia.

Continue firme pelos caminhos da virilidade e suas verdades.

Continue trilhando pelos vales da vida, pois um dia encontrarás o mais belo jardim,
o jardim que representará a realização de seus maiores sonhos.

Que Deus te ilumine, todos os dias de sua vida.
Feliz Aniversário!

Mensagem - Foto